Belo Horizonte, 18 Janeiro de 2012

Ano: VII - Nº: 257

Capacidade de produção no Brasil cresce
55% em nove anos

 

A velocidade com que o Brasil está recebendo novas fábricas elevará a capacidade de produção de veículos em 55% entre 2007 e 2015. Nesse período o parque do setor será ampliado para uma produção anual extra de 1,698 milhão de unidades. É como se todas as fábricas da Rússia ou do Reino Unido fossem transferidas para o território brasileiro. Ainda assim sobraria espaço para mais uma ou duas.

Em 2007, as linhas de montagem do país estavam preparadas para fabricar 3,042 milhões de veículos por ano. Este ano, a capacidade chegará a 3,999 milhões, passando para 4,480 milhões em 2014 e 4,740 milhões em 2015, segundo previsões do Morgan Stanley.

O banco de investimentos americano começou a alertar os clientes nos Estados Unidos sobre os riscos de a estrutura do parque automotivo brasileiro ficar grande demais. A instituição financeira também apontou a aceleração da expansão da capacidade das fábricas na China como um risco.

A Rússia, parceira do Brasil no bloco Brics, produziu 1,4 milhão de veículos em 2010, segundo dados da OICA, organização que agrega as representações dos fabricantes de veículos em todo o mundo. No mesmo ano, o Reino Unido, outro país com vocação para a indústria automobilística, somou 1,393 milhão de unidades.

A preocupação dos pesquisadores do setor automotivo do Morgan Stanley em relação ao Brasil foi exibida esta semana, em Detroit, durante um congresso promovido pela publicação especializada "Automotive News" e que reuniu executivos do setor na véspera da abertura do salão do automóvel.

O diretor responsável pela área automotiva do Morgan Stanley, Adam Jonas, usou o caso brasileiro para alertar os executivos do setor sobre o risco de os fabricantes confiarem demais no avanço da demanda nas regiões emergentes como forma de compensar a estagnação das vendas em outros mercados. "Não contem com os mercados emergentes", disse Jonas. Para ele, o perigo aumenta à medida que a expansão industrial ocorre num momento em que o governo acaba de anunciar medidas de proteção.

Jonas criticou e até ironizou a medida do governo que elevou em 30 pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros importados e também dos que forem produzidos em fábricas que não alcançarem o conteúdo nacional médio de 65%.

O executivo também disse à plateia que lotava um dos salões do Renaissance Center, no centro de Detroit, que a medida governamental foi tomada para atingir diretamente os produtos chineses, cuja participação no mercado brasileiro em poucos meses passou de menos de 1% para quase 6%. Ele ainda contou à plateia sobre os planos de uma marca chinesa - a JAC - de construir uma fábrica na Bahia com investimento de US$ 500 milhões. "Todo o mundo está construindo uma fábrica no Brasil", destacou. E perguntou quantos conheciam esses veículos. Poucos ergueram as mãos.

Mais tarde, Jonas disse ao Valor que a elevação da carga tributária foi repentina, inesperada. Para ele, independentemente de a capacidade produtiva ser efetivamente necessária para atender ao crescimento de demanda, esperado pelo setor automotivo, "esta é uma questão com a qual o Brasil tem que se preocupar". O executivo também não espera que essa produção extra possa ser escoada no mercado de exportação. "Sabemos que mais de 70% da produção da indústria automobilística no Brasil depende do mercado interno."

Não é apenas em relação ao Brasil que o dirigente do banco americano chamou a atenção dos executivos do setor. Apesar das previsões de crescimento de vendas de veículos na China em 2012, Jonas disse que a expansão da demanda no país asiático está "desacelerando rapidamente". Por isso, também preocupa a velocidade do crescimento da capacidade na China. As vendas de veículos na China devem crescer mais de 10% em 2012. Mas, disse, esse avanço não será tão lucrativo em razão do aumento da expansão industrial. "A capacidade chinesa está programada para crescer duas vezes mais rápido do que a demanda em 20112 e, certamente, atingirá ritmos mais velozes que as vendas em 2013", disse o executivo. Para ele, isso deverá representar uma pressão de custos. No Brasil, a indústria espera um aumento de mercado de 4% a 5% este ano.

Mesmo assim, Brasil e China, segundo previsões do banco americano, continuarão a puxar o crescimento do mercado este ano. Jonas lembrou que o Brasil foi um dos mercados mais lucrativos para a indústria automobilística nos últimos anos. É por isso que, independentemente das análises sobre eventual excesso de capacidade, o foco da indústria continua voltado para o Brasil. As previsões do Morgan Stanley para Europa foram sombrias. Segundo Jonas, os volumes de vendas anuais na Europa vão cair este ano, para 13,3 milhões de veículos. Em 2011, os mercados europeus somaram 14,2 milhões de unidades. Este é um número que, na análise do executivo, só deverá ser alcançado em 2014.

Em relação aos Estados Unidos, apesar da festa que os executivos que participam do salão de Detroit têm feito em relação à recuperação das vendas, Jonas disse que, mesmo com a recuperação dos últimos meses, no ano passado as vendas de veículos no país, que perdeu para a China a liderança mundial, ficaram iguais ao que eram na década de 70: 12,8 milhões.

Em 2011 foram vendidos em todo o mundo 70,534 milhões de veículos. Espera-se uma expansão forte nessa década. O mercado mundial anual poderá chegar, segundo previsões da indústria, a 100 milhões em 2020.

(Fonte: Valor Econômico - 13/01/2012) .

Setor de construção ganha novo
reforço com medidas

 

O mercado de material de construção deve ficar ainda mais aquecido com a decisão do governo de financiar a compra de material de construção por meio de uma linha de crédito de R$ 300 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo a economista da Tendências, Amaryllis Romano, com o novo plano, o crescimento do setor pode chegar a 6% em 2012, ante os 5% projetados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) no início do ano.

"O impacto deve ser significativo. Trata-se de uma medida muito boa", afirma Romano.

Ela ressalta que o governo tem incentivado tanto o mercado imobiliário como o segmento de construção e reformas. "O efeito deverá ser maior na classe C, e o crescimento deve ficar entre 0,5% e 1%", diz.

Segundo as regras do pacote, o financiamento poderá ser de até R$ 20 mil por tomador, que precisa ser o proprietário do imóvel a ser reformado (que não pode ultrapassar o teto de R$ 500 mil), ter conta no FGTS e vínculo empregatício ativo. Não há limite de renda para o pedido do financiamento. O prazo de amortização é de 120 meses e os juros giram em torno de 12% ao ano.

Para o presidente da Abramat, Walter Cover, o consumo deve aumentar. "A medida é bem oportuna, uma vez que existe uma demanda reprimida de reformas e construções", avalia. Ele destaca que muitos que não pensavam no assunto já cogitam a possibilidade. Segundo o vice-presidente da Tigre Tubos e Conexões, Paulo Nascentes, 80% da receita da empresa vêm da construção habitacional.

(Fonte: DCI - 16/01/2012)

   

 

Mercado da construção atrai empresas asiáticas para o País

 

Difícil encontrar alguém que não tenha escutado como é complicado negociar com os orientais. Forte respeito pela hierarquia, privilégio ao regionalismo e um certo sentimento de desconfiança em relação ao Ocidente estão entre os motivos. No entanto, até o círculo mais fechado pode se abrir quando se trata de um mercado realmente promissor, como o de construção no Brasil. Segundo um estudo consolidado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), 60% das vendas mundiais de equipamentos para construção civil acontecerão na China, Índia e Brasil em 2015. Por isso, algumas asiáticas já traçam planos para fincar suas bandeiras em solo brasileiro.

É o caso da Hyundai Heavy Industries, que recentemente fechou uma joint venture com a Brasil Máquinas de Construção (BMC) para começar a fabricar equipamentos no País. A BMC iniciou suas operações em 2007 como representante de grandes empresas do segmento de construção, entre elas a coreana Hyundai. "Optamos por focar no atendimento para ganhar um mercado que, no Brasil, ainda é muito concentrado", afirmou em entrevista ao DCI o presidente da BMC, Felipe Cavalieri.

No primeiro ano de operação, a empresa brasileira importou 858 máquinas, fechando o ano com faturamento médio de cerca de R$ 343 milhões. A previsão para 2012, segundo Cavalieri, é que a BMC comercialize cerca de 3,3 mil equipamentos, o que pode gerar uma receita de até R$ 1,32 bilhão à empresa. E a intenção da BMC é aumentar ainda mais a sua carteira de clientes. No entanto, existe um obstáculo no meio do seu caminho: o Programa de Sustentação do Investimento. "O PSI é uma barreira do mercado local, uma vez que o governo só concede esse tipo de financiamento para quem produz no País", diz.

Como a BMC não fabrica equipamentos, a saída encontrada para obter o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi abrir uma fábrica no País. Cavalieri acredita que o PSI contribui para o crescimento da indústria local, porém outras medidas protecionistas tendem a aumentar os custos para os consumidores, como o aumento do imposto de importação. "Elevar tributo não coopera para o crescimento da indústria nacional", afirma o executivo.

A BMC terá 25% da parceria estabelecida com a Hyundai na fábrica de Itatiaia (RJ), que deve ficar pronta no final deste ano, com a promessa de equipamentos fabricados com 60% de conteúdo nacional já em sua inauguração. O investimento inicial na planta é de R$ 150 milhões. Cavalieri afirma que esse tipo de participação com a Hyundai é inédita, uma vez que a coreana não fecha cotas para sócios estrangeiros.

De acordo com o consultor da Sobratema, Brian Nicholson, o Brasil figura como grande exportador de máquinas e equipamentos para construção civil. Porém, algumas linhas, que têm pouca saída no País, não são produzidas internamente e acabam sendo importadas. "Grandes empresas como a Hyundai costumavam entrar no mercado nacional na forma de importação. Agora, essas companhias estão abrindo fábricas por aqui", diz Nicholson.

E a maré anda tão boa para o setor de construção que a chinesa Zoomlion, grande player mundial de equipamentos para concreto, também abrirá uma unidade no Brasil. O investimento inicial deverá ser de R$ 20 milhões, conforme adiantou ao DCI o presidente da BMC, parceira da Zoomlion na empreitada. "Até março, devemos fechar o local em que a planta será construída", diz Cavalieri. Segundo o executivo, quatro Estados estão na lista da empresa. "O mais natural seria o Rio de Janeiro, onde uma de nossas unidades já está sendo levantada. Porém, ainda não temos nada definido", complementa.

Cavalieri afirma que a BMC espera alcançar 20% do market share da chamada linha amarela (que inclui equipamentos como escavadeiras e carregadeiras) com a nova fábrica da Hyundai em Itatiaia. "O mercado brasileiro vai crescer ainda mais e os países já estão de olho no País", acredita o empresário.

Outras duas empresas asiáticas podem começar a produzir no Brasil equipamentos para construção com mínimo de 60% de conteúdo nacional. A chinesa Sany já fabrica, desde o ano passado, escavadeiras e guindastes em São José dos Campos (SP), sob o sistema de montagem de kits (CKD). Conforme divulgado pela empresa, existem planos para nacionalizar a sua produção, que hoje gira em torno de 850 unidades por ano. Há também rumores de que a chinesa Liu Gong instale uma fábrica no Brasil. A fabricante comercializou, em 2011, cerca de 1,4 mil máquinas para construção na América Latina.

(Fonte: DCI - 17/01/2012)

 

Trupe paulista apresenta teatro de rua no Circuito Cultural Praça da Liberdade

 

Depois de circular por diversos parques de São Paulo, o espetáculo de rua "O Tribunal de Salomão e o julgamento das meias-verdades inteiras", da companhia Barracão Cultural, chega a Belo Horizonte. A peça será apresentada no Teatro de Arena do Circuito Cultural Praça da Liberdade, localizado no Edifício Rainha da Sucata, nesta sexta-feira (20), às 15h30, e no sábado (21), às 19h, com entrada gratuita.
A montagem tem recomendação livre e duração de 50 minutos.

Sucesso de público na capital paulista, o espetáculo conta a história de um grupo de atores que, prestes a apresentar a peça O Tribunal de Salomão, é surpreendido por três pessoas que acreditam que ali é um tribunal verdadeiro e pedem ajuda para que suas causas sejam julgadas. Eles disputam a posse de um objeto e cada um apresenta sua versão, com o objetivo de decidir quem seria o verdadeiro dono. Permeando a narrativa, um pai austero, uma filha lasciva e um pseudopadre fazem muitas confusões, só para obter o recipiente onde estaria preso o tesouro: o diabo, pego na encruzilhada, na noite de lua cheia.

Idealizada pela atriz e produtora mineira Eloisa Elena, a peça leva para as ruas a experiência do teatro, encarando o desafio de chamar a atenção de quem passa. Segundo a crítica de Dib Carneiro Neto, o texto tem um "tom de farsa popular, de commedia dell'arte, de circo-teatro, mas inteligentemente tratado, de forma divertida e leve". Tais características renderam ao trabalho 10 indicações ao Prêmio FEMSA/SP, dentre elas, o de melhor espetáculo jovem, direção, melhor atriz e melhor ator.

(Fonte: Agência Minas On Line – 17/01/2012)